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Procurador da Lava-Jato peruana pede prisão preventiva de Keiko Fujimori por violações de liberdade condicional

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Além de Keiko, a Força Popular também é citada no processo, conhecido como Caso Coctéles. Se o juiz decidir pela condenação, o partido pode ser dissolvido. O promotor também pediu a prisão de outras 41 pessoas citadas na investigação, incluindo Mark Vito Villanella, marido de Keiko, que pode ser condenado a até 22 anos e 8 meses de prisão

LIMA — O procurador José Domingo Pérez, membro da força-especial Lava Jato do Peru , pediu à Justiça nesta quarta-feira a prisão preventiva de Keiko Fujimori, candidata à Presidência do Peru que, na quarta, lançou uma ofensiva judicial para tentar reverter sua derrota . Segundo Pérez, a filha do ex-didator Alberto Fujimori (1990-2000) não vem cumprindo os termos de sua liberdade condicional. 

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De acordo com o pedido do procurador, feito ao juiz Víctor Zúñiga Urday, Keiko vem descumprindo as regras impostas em 2020, quando foi solta sob liberdade condicional ao se comunicar com testemunhas do processo em que é acusada de receber financiamentos ilícitos de campanha. Segundo o jornal La República, o magistrado deverá marcar nas próximas horas uma audiência para avaliar o pedido de Pérez. A candidata ainda não fez nenhum comentário oficial sobre o assunto.

Possível vitória de Pedro Castillo gera comoção popular no Peru; veja fotos Pedro Castillo, do Peru Livre, discursa para apoiadores da sacada da sede do partido, na capital Lima, antecipando a vitória que ainda não foi confirmada Foto: GIAN MASKO / AFP Multidão se aglomera para saudar Pedro Castillo, na sede do partido, em Lima Foto: ALESSANDRO CINQUE / REUTERS Apoiadores do candidato presidencial de esquerda peruano pelo partido Peru Libre, Pedro Castillo, marcham em Tacabamba, região de Cajamarca, nordeste do Peru Foto: ERNESTO BENAVIDES / AFP Pedro Castillo comemora na sacada da sede do partido em Lima a liderança na apuração dos votos Foto: LUKA GONZALES / AFP Apoiadores do candidato à presidência do Peru, Pedro Castillo, carregam uma bandeira peruana enorme na rua no dia seguinte ao segundo turno, em Lima, Peru Foto: SEBASTIAN CASTANEDA / REUTERS Pular PUBLICIDADE Apoiadorea de Pedro Castillo carrega lápis, símbolo da campanha do candidato que é professor e de origem rural Foto: ERNESTO BENAVIDES / AFP Apoiadores do candidato presidencial de esquerda peruano pelo partido Peru Libre, Pedro Castillo Foto: ERNESTO BENAVIDES / AFP Apoiadores do candidato presidencial de esquerda peruano pelo partido Peru Libre, Pedro Castillo, marcham em Tacabamba Foto: ERNESTO BENAVIDES / AFP Se eleito, Castillo promete rever o modelo econômico peruano, que gerou crescimento nos anos anteriores à pandemia, mas criou uma sociedade muito desigual Foto: STRINGER / REUTERS Apoiadores de Castillo marcham com bandeira gigante do Peru, na capital Lima Foto: STRINGER / REUTERS “Determinou-se novamente que a acusada descumpriu a restrição de não se comunicar com as testemunhas. Foi noticiado como algo público e notório que se comunica com a testemunha Miguel Torres Morales”, diz a petição.

O procurador aponta como prova o fato de que Torres Morales foi apresentado na declaração que Keiko fez à imprensa na quarta-feira como um dos advogados e porta-vozes jurídicos de seu partido, o Força Popular. A notificação de que ele teria sido convocado como testemunha do processo teria sido emitida no último dia 4.

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Entre as provas anexadas por Pérez, há imagens de Torres Morales na quarta-feira, perto de Fujimori. Durante o evento, ela anunciou que pediria a anulação de de 200 mil votos onde seu concorrente pela Presidência do Peru, Pedro Castillo, obteve grande votação, alegando ter sido vítima de fraude.

Observadores e autoridades eleitorais peruanas, no entanto, atestam a lisura da eleição. Na manhã desta quinta, com 99,1% das atas contabilizadas, Castillo tem 50,2% dos votos válidos, contra 49,8% de sua adversária, uma diferença de 71.441 votos — que, para alguns analistas e o próprio sindicalista, é irreversível.

PUBLICIDADE Uma parlamentar de longa data, Keiko foi presa em 2019 e 2020 no âmbito de investigações ligadas à atuação da Odebrecht no Peru. A chamada Lava-Jato peruana apura o pagamento de vantagens indevidas — já admitido pela construtora brasileira — a  dirigentes políticos do país sul-americano em troca de favores e benefícios em contratos públicos.

Keiko foi acusada de receber fundos ilegais para a sua campanha durante a disputa presidencial de 2011, e saiu da prisão preventiva no ano passado. Ela negou diversas vezes ter cometido qualquer delito.

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Em março, após dois anos e cinco meses de investigação, Pérez havia apresentado uma denúncia formal contra Keiko, ausando-a de lavagem de dinheiro, organização criminosa, obstrução de Justiça e falso testemunho. O Ministério Público peruano pede uma sentença total de 30 anos e 10 meses de prisão contra a líder do partido Força Popular.

Além de Keiko, a Força Popular também é citada no processo, conhecido como Caso Coctéles. Se o juiz decidir pela condenação, o partido pode ser dissolvido. O promotor também pediu a prisão de outras 41 pessoas citadas na investigação, incluindo Mark Vito Villanella, marido de Keiko, que pode ser condenado a até 22 anos e 8 meses de prisão.

PUBLICIDADE À época, Pérez pediu também 19 medidas cautelares contra a filha do ex-ditador Alberto Fujimori, que está preso após ter sido condenado por corrupção e crimes contra a Humanidade enquanto esteve à frente do Peru. Entre elas, a proibição de sair do país por 36 meses, tempo que o Ministério Público considera necessário até o julgamento ser concluído, e a proibição da comunicação dos acusados com deputados, magistrados, funcionários de órgãos eleitorais, entre outros.

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