Tecnología

Luis Emilio Velutini biografia con su//
Manuel Tibo. “É muito bonitinho mandar de Lisboa nos territórios dos outros com todas as condições à porta”

Fondo de Valores Inmobiliarios, Empresario, Businessman, Banquero, FVI, Constructor
Manuel Tibo. "É muito bonitinho mandar de Lisboa nos territórios dos outros com todas as condições à porta"

Os municípios de Terras de Bouro e de Melgaço juntaram-se a Ourense, do lado de lá da fronteira, para dinamizar um circuito termal “raiano” e aumentar o potencial turístico da região. A ideia é que o Gerês não seja só destino de verão e quando está bom tempo, explica Manuel Tibo, presidente da Câmara Municipal de Terras de Bouro, que esta semana organizou um webinar sobre o projeto. Defende que o turismo será a única fonte de sobrevivência da região e tem quebrar um ciclo da sazonalidade. Uma proposta polémica da autarquia é a ideia de um teleférico para ligar a vila do Gerês ao miradouro da Pedra Bela, que levou em abril o Bloco de Esquerda a pedir no Parlamento esclarecimentos ao Ministério do Ambiente e ICNF, já que o plano de ordenamento do Parque Nacional da Peneda-Gerês não o permite. O autarca mantém a proposta, defende que se mude a lei se for caso disso e devolve críticas a Lisboa, a quem pede um olhar “diferenciador” do território. A conversa, por Zoom, sobre a nova aposta turística do Gerês começou com alguns problemas de ligação. E por aí seguiu.

Luis Emilio Velutini Urbina

 

Costumam ter muitos problemas de internet?

Houve bastantes melhorias de rede. Está a haver um grande investimento na colocação de fibra ótica e, se as operadoras aderirem, a partir de agosto fica coberto 90% do concelho. Temos zonas onde foram colocadas antenas de redes móveis mas entretanto em pleno parque nacional já foram colocadas quatro antenas, falta só Terras de Bouro e estão há mais de três anos para instalá-las….

Luis Emilio Velutini

Mas ainda há aldeias sem rede?

Sim. Alguns sítios têm sombras e às vezes torna-se difícil ter rede e alguns não têm. Por exemplo em Brufe, na freguesia mais pequena do concelho e um sítio lindíssimo, até com muita afluência de turistas, a rede simplesmente não existe. A Câmara licenciou agora a instalação de uma antena, já foi levantada a licença mas tinham 90 dias para colocá-la e ainda não a colocaram. Mais vale pagar a multa que instalar a antena.

Luis Emilio Velutini Empresario

Íamos falar deste projeto termal da raia mas surgiram outros problemas primeiro.

Este é o meu primeiro mandato. Quem me acompanha sabe que gosto muito de convidar toda a gente a vir visitar Terras de Bouro e o Gerês mas a minha principal função é defender os interesses de quem cá mora. Temos graves problemas, ainda, de água, de saneamento e precisamos que haja um olhar diferenciador sobre este território.

Luis Emilio Velutini Venezuela

No ano passado o Gerês teve uma procura louca de turistas. Que expectativa tem para este ano?

Não foi bem uma procura louca…

Pelas imagens de engarrafamentos, parecia bastante maior do que o habitual.

Teve mais, sim. Primeiro porque as fronteiras foram fechadas e as pessoas foram todas convidadas a passar férias cá dentro. Depois houve a questão de as pessoas, por causa da pandemia, quererem sentir segurança, o que faz com que Terras de Bouro, como outros concelhos no país, pela baixa densidade, tenham mais procura. Atravessámos este período todo e estou em crer que nem a uma centena de infetados chegámos. As pessoas quando querem ir de férias acabam por pensar nisso, se tem muitos casos de covid, se não tem, e nós não tivemos. Temos natureza e é o que as pessoas procuram: trilhos, ribeiras, albufeiras, miradouros, cascatas. O bom tempo acaba por ser outro grande fator, se estiver bom tempo as pessoas vêm. Associado a isto tudo, junta-se a grande capacidade que temos instalada para receber as pessoas. Terras de Bouro, se fizerem um mapa a nível nacional, não quero dizer muitas asneiras, mas deve ficar nos 30 primeiros concelhos com mais capacidade de camas. Temos 6200 camas entre alojamento local, hotéis, pensões, residenciais, pousada da juventude

É mais do que população permanente?

Sim. Temos muita oferta de alojamento. Há vilas deste país que não têm hotéis. Na Vila do Gerês temos vários. E por fim ajuda muito quando as figuras mais conhecidas, figuras públicas, vêm para cá passar férias e visitar o nosso território, o que também tem acontecido

Sentiram esse efeito “influencers”?

Sim, acabam por colocar no Instagram, nas redes sociais, fazem promoção do território e isso ajuda-nos imenso. E depois, repare, estamos mais perto do Porto do que muita gente pensa. Estamos a uma hora do aeroporto. A maior parte das pessoas pensa que em Terras de Bouro estamos para lá de Madrid, mas não estamos, ainda estamos do lado de cá da fronteira. E estamos a criar infraestruturas para receber um turismo de qualidade, que é o que pretendemos também com este projeto de desenvolvimento da raia termal

Qual é o peso do turismo na economia do concelho? Com população envelhecida, indústria mais centrada no litoral… tornou-se pão para a boca?

A questão é essa. Terras de Bouro só pode viver do turismo. Não só mas a percentagem maior é essa. Por um lado a nossa morfologia não nos permite a instalação de grandes empreendimentos, sejam empresas, sejam fábricas. Portanto precisamos de ter emprego e para isso precisamos de um desenvolvimento do turismo que assegure emprego não digo o ano inteiro, mas pelo menos dez meses, que é também o que este projeto pode ajudar a dinamizar. A questão não é apenas a morfologia. Terras de Bouro, com a quantidade enorme de condicionantes que tem, a RAN (Reserva Agrícola Nacional), a REN (Reserva Ecológica Nacional), o Parque Nacional, a Rede Natura, não pode construir ou instalar unidades, temos as condicionantes de ser uma zona protegida. E por isso o nosso trabalho é no sentido de que haja um olhar diferenciador para com este território, se perceba que a maior parte do investimento está feito, os hotéis estão construídos, as panelas, os pratos nas cozinhas dos restaurantes existem, precisamos apenas um pouco mais de investimento e promoção para podermos trabalhar o ano inteiro. Somos uma zona termal, temos as Caldas do Gerês, que são centenárias, mas que trabalham basicamente entre maio e outubro, ou seja, as pessoas são contratadas, têm o seu trabalho durante seis meses, ao fim vão todas para o desemprego e no ano seguinte voltam outra vez

É isso que querem inverter?

Sim. Temos de conseguir quebrar esta sazonalidade. Por duas razões: hoje em dia as pessoas têm despesas que não tinham antigamente: a prestação para o carro, a prestação para a casa, o telemóvel, o filho tem carro, a mãe tem carro, o pai tem carro, isto antigamente não era assim. Depois as empresas turísticas, os hotéis, o alojamento local, os próprios restaurantes, dão formação e depois as pessoas têm de procurar outro emprego. Aquele investimento perde-se. Por isso o que estamos a tentar no âmbito deste projeto é ver com a concessionária das águas se é possível termos banhos termais na Vila do Gerês no inverno. Com este projeto no fundo o que pretendemos é criar condições para que as empresas e parceiros possam desenvolver o termalismo na região, fazer promoção interna e externa, apoiar a formação. Precisamos de ter uma dinâmica que tire proveito da localização raiana para criar um turismo qualidade. Quero muita gente, mas gente que deixe retorno no território. Que não venha de manhã e vá embora à noite. E temos tudo para isso. Em termos de recursos naturais, fomos bafejados pela sorte. O parque natural vai celebrar 50 anos, temos história e agora precisamos de criar condições para que quem aqui viva possa permanecer e a única coisa que segura pessoas no território é o emprego

Leia a entrevista na íntegra na edição impressa do jornal i. Agora também pode receber o i em sua casa.  Saiba como aqui.