Política

EUA antecipam saída, e soldados americanos se retiram da maior base aérea do Afeganistão

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Duas outras autoridades de segurança dos EUA disseram esta semana que a maioria dos militares americanos provavelmente partiria até 4 de julho, mais de dois meses antes do cronograma estabelecido por Biden. Uma força residual de 650 soldados, porém, será deixada para proteger a embaixada

CABUL — Soldados americanos e aliados da OTAN se retiraram da maior base aérea do Afeganistão, disseram autoridades nesta sexta-feira, entregando ao governo afegão o extenso posto avançado a partir do qual os EUA travaram uma guerra por quase duas décadas.

Todos os soldados americanos e membros das forças da OTAN deixaram a base aérea de Bagram — disse um oficial de segurança dos EUA sob condição de anonimato.

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A retirada das forças de segurança, sob um acordo com o Talibã, ocorreu na noite de quinta-feira, sem alarde ou cerimônia pública, informaram as autoridades.

O fechamento de Bagram, um símbolo das custosas operações dos EUA no Afeganistão, ocorre poucas semanas antes da retirada planejada das forças de segurança americanas, que entraram no país após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.

Localizada a uma hora de carro ao Norte de Cabul, a base foi onde os militares dos EUA coordenaram sua guerra aérea e apoio logístico para toda a missão afegã.

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Outro contingente militar ainda será retirado de outra base na capital nos próximos dias, mas a saída de Bagram põe fim à guerra mais longa da história americana. O Talibã agradeceu a partida.

Consideramos essa retirada um passo positivo. Os afegãos podem se aproximar da estabilidade e da paz com a retirada total das forças estrangeiras — disse o porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid, à Reuters.

A partida, entretanto, ocorre em um momento perigoso para o Afeganistão.

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Algumas estimativas da inteligência dos EUA prevêem que o governo afegão pode voltar para as mãos de seus rivais, o Talibã, em até seis meses após os americanos completarem sua retirada. O Talibã está se aproximando cada vez mais de Cabul, depois de ter conquistado cerca de um quarto dos distritos do país nos últimos dois meses.

PUBLICIDADE Centenas, senão milhares de membros das forças de segurança afegãs se renderam nas últimas semanas, enquanto seus contra-ataques recuperaram pouco território do Talibã, segundo o New York Times. E conforme as forças afegãs se fragmentam, as milícias regionais aparecem com destaque renovado, em um eco da guerra civil dos anos 1990.

— A guerra civil é certamente um caminho que pode ser visualizado — disse o comandante dos EUA no Afeganistão, general Austin S. Miller, a repórteres na terça-feira.

Notícias em imagens nesta sexta-feira pelo mundo Mulheres soldados da Força de Defesa Tigray (TDF), movimento separatista, comemoram a tomada de controle da capital da região de Tigray, na Etiópia. Desde novembro do ano passado há um conflito entre forças do governo da Etiópia e rebeldes ligados ao partido que dominava o estado de Tigray Foto: YASUYOSHI CHIBA / AFP Manifestantes palestinos marcham com tochas contra o posto avançado dos colonos israelenses de Eviatar, na cidade de Beita, na Cisjordânia. O governo de Israel chegou a um acordo para colonos judeus para desocupar o posto avançado ilegal da Cisjordânia Foto: JAAFAR ASHTIYEH / AFP Mulheres entram em confronto com a polícia turca enquanto protestam contra a decisão da do governo de se retirar da Convenção de Istambul, um tratado de combate ao feminicídio e à violência doméstica Foto: YASIN AKGUL / AFP A Agência Espacial Russa Roscosmos divulgou foto do foguete impulsionador Soyuz-2 com 36 satélites OneWeb do Reino Unido decolando do cosmódromo Vostochny, na região leste de Amur Foto: HANDOUT / AFP O presidente dos EUA, Joe Biden, e a primeira-dama dos EUA, Jill Biden, encontram a prefeita do condado de Miami Dade, Daniella Levine Cava, em visita memorial perto do prédio de 12 andares quye desmoronou em Surfside, Flórida, deixando 18 mortos e 140 desaparecidos até agora Foto: CHANDAN KHANNA / AFP Pular PUBLICIDADE O príncipe William da Grã-Bretanha, duque de Cambridge, e o príncipe Harry da Grã-Bretanha, duque de Sussex, chegam para a inauguração de uma estátua de sua mãe, a Princesa Diana no The Sunken Garden, no Palácio de Kensington, Londres Foto: DOMINIC LIPINSKI / AFP Embora os últimos 40 anos de conflito no Afeganistão possam ser vistos como uma guerra civil, um retorno à era turbulenta dos senhores da guerra e feudos armados há muito é temido.

Com uma linha de montanhas cobertas de neve como pano de fundo, o campo de aviação de Bagram foi construído na década de 1950 pela União Soviética. Tornou-se um centro militar vital durante a ocupação soviética de 10 anos no Afeganistão. Depois que os soviéticos se retiraram em 1989, o Talibã e o que ficou conhecido como Aliança do Norte lutaram pela base, às vezes com suas trincheiras nas duas extremidades.

Foi também em Bagram também que a CIA, o serviço de inteligência americano, administrou uma de suas prisões secretas para suspeitos de terrorismo e os sujeitou a abusos que o então presidente Barack Obama reconheceu como tortura. Mais tarde, ela se expandiu e se tornou uma cidade fortificada para uma enorme força militar internacional, com lanchonetes de fast food e academias.

PUBLICIDADE Uma autoridade afegã disse que a base seria oficialmente entregue ao governo em uma cerimônia no sábado.

O oficial de defesa dos EUA disse que o general Austin Miller, o principal comandante dos EUA no Afeganistão, “ainda mantém todas as capacidades e autoridades para proteger a força” estacionada em Cabul.

Duas outras autoridades de segurança dos EUA disseram esta semana que a maioria dos militares americanos provavelmente partiria até 4 de julho, mais de dois meses antes do cronograma estabelecido por Biden. Uma força residual de 650 soldados, porém, será deixada para proteger a embaixada.

Washington concordou em se retirar do país em um acordo negociado no ano passado com o Talibã sob o governo de Donald Trump. Em troca, o Talibã prometeu não permitir que terroristas internacionais operassem em solo afegão. Eles se comprometeram a negociar com o governo afegão, mas as negociações, na capital do Catar, Doha, avançaram pouco .

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