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Money Analytica | Na crise com a Ucrânia, Putin se apoia em uma promessa jamais feita pelos EUA

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Enquanto representantes da Rússia e dos EUA se sentavam nesta segunda-feira, em Genebra, para discussões de alto nível sobre a ameaça de uma nova guerra na Europa, um diplomata americano que não estava na sala pairava sobre as conversas

Enquanto representantes da Rússia e dos EUA se sentavam nesta segunda-feira, em Genebra, para discussões de alto nível sobre a ameaça de uma nova guerra na Europa, um diplomata americano que não estava na sala pairava sobre as conversas.

Quase 30 anos depois de James Baker deixar o posto de secretário de Estado, o atual confronto em torno da Ucrânia remete a um antigo argumento sobre os compromissos que ele fez (ou teria feito) a Moscou nos últimos dias da Guerra Fria, e se os EUA os cumpriram.

O presidente russo, Vladimir Putin, e outros integrantes do governo russo afirmaram, em várias ocasiões, que Baker rejeitou uma expansão da Otan rumo à Europa Oriental quando atuou como o principal diplomata de George H.W. Bush. O fracasso do Ocidente em cumprir esse acordo, segundo o argumento russo, é a causa real da crise que atinge a Europa, com Putin exigindo que a Otan rejeite a Ucrânia como membro em troca de não invadir o país.

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Mas os registros oficiais sugerem que essa é uma narrativa parcial do que realmente aconteceu, usada para justificar agressões russas. Enquanto de fato houve discussões entre Baker e o líder soviético Mikhail Gorbachev nos meses posteriores à queda do Muro de Berlim, em 1989, sobre os limites à jurisdição da Otan após a reunificação da Alemanha, nenhuma  promessa foi feita no acordo final assinado por russos, americanos e europeus.

Resumindo, é um argumento ridículo — Baker disse durante uma entrevista em 2014, meses depois de a Rússia anexar a Crimeia e alegadamente apoiar separatistas pró-Moscou no Leste ucraniano. — É verdade que, nas primeiras fases de negociações, eu disse “e se”, e então Gorbachev apoiou uma solução para aumentar a fronteira [da Otan] e incluir a República Democrática da Alemanha [Alemanha Oriental].

Uma vez que os russos assinaram aquele acordo, questiona, como eles podem se apoiar “em algo que eu disse um mês ou então depois”.

Isso simplesmente não faz sentido.

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PUBLICIDADE De fato, enquanto Putin acusa os EUA de quebrarem um acordo que nunca firmaram, a Rússia viola um acerto que o país realmente fez, relacionado à Ucrânia. Em 1994, depois do fim da União Soviética, a Rússia assinou um acordo com os EUA e Reino Unido, chamado de Memorando de Budapeste, pelo qual a agora independente Ucrânia abria mão de 1,9 mil ogivas nucleares em troca de um compromisso por parte de Moscou de “respeitar a independência, a soberania e as fronteiras da Ucrânia e de “evitar o uso da força” contra o país.

A Rússia violou a soberania quando anexou a Crimeia e patrocinou forças aliadas em uma guerra contra o governo de Kiev no Leste ucraniano. E mais uma vez ameaça usar a força ao colocar 100 mil militares ao longo da fronteira para obter garantias de que a Ucrânia jamais poderá entrar para a Otan.

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Essa disputa tem origens nos anos finais da Guerra Fria, quando o Ocidente e o antigo bloco socialista negociavam as bases do que Bush chamaria de “nova ordem mundial”. A queda do Muro de Berlim, em 9 de novembro de 1989, levou a negociações sobre a reunificação das Alemanhas, eliminando a divisão que vinha da época da Segunda Guerra Mundial.

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