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Macron se volta para a causa ambiental no dia seguinte à 'onda verde' nas eleições municipais

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Macron se volta para a causa ambiental no dia seguinte à 'onda verde' nas eleições municipais

PARIS – Emmanuel Macron prometeu, durante o confinamento, se reinventar , e a reinvenção começou nesta segunda-feira com uma série de propostas para proteger o meio ambiente, incluindo o investimento de 15 bilhões de euros para adaptar a economia às demandas ecológicas. O partido presidencial acaba de sofrer nas eleições municipais a maior derrota desde a sua fundação. Uma abstenção recorde de 60% pode ser entendida como um sintoma de insatisfação política. Os municípios deram vitórias aos ambientalistas que, aliados à esquerda, conquistaram algumas das maiores cidades como Lyon, Estrasburgo e Bordeaux. O presidente, de olho na reeleição em 2022, quer ser mais ecológico e democrático a partir de agora.

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Macron não perdeu tempo em tirar conclusões da noite desastrosa das eleições para ele e seu partido. A apresentação, já planejada, do relatório da chamada Convenção da Cidadania pelo Clima proporcionou a ocasião.

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Leia: Parlamentares abandonam partido de Macron, e sigla do presidente perde maioria na Assembleia Nacional

Este fórum é um novo experimento na França: 150 cidadãos escolhidos por sorteio, que durante nove meses de discussões receberam a incumbência de “definir uma série de medidas que permitam uma redução de pelo menos 40% nas emissões de gases do efeito estufa até 2030 (em relação a 1990), em espírito de justiça social “.

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O presidente deu as boas-vindas aos 150 no jardim do Palácio do Eliseu e, assim, deu início ao estágio pós-Covid-19, da reinvenção

Ele se declarou de acordo com 146 das medidas 149 propostas pela Convenção e prometeu que, a partir deste verão no Hemisfério Norte, o Conselho de Ministros e o Parlamento as traduziriam em leis e regulamentos. Ele também disse que defenderia na União Europeia as demandas que excedem as competências nacionais, como a subordinação dos pactos comerciais ao acordo climático de Paris

– O que você estão propondo é um projeto humanista coerente, ao qual eu aderi – disse Macron, insistindo que essas medidas não deveriam prejudicar o desenvolvimento econômico. – Devemos pôr a ambição ecológica no centro do modelo de produção. Um modelo de crescimento negativo também é um modelo de crescimento negativo na área social

PUBLICIDADE O presidente descartou três propostas do fórum de cidadãos: a redução da velocidade máxima nas rodovias de 130 para 110 quilômetros por hora; a imposição de uma taxa de 4% sobre os dividendos das empresas; e a introdução no prefácio da Constituição da preservação do meio ambiente

A recusa em reduzir a velocidade máxima nas estradas tem uma razão social: para não irritar os eleitores da França rural e periférica que precisam do carro para trabalhar. A recusa em relação aos dividendos é explicada pelo medo de afastar os investimentos. E a  recusa em modificar o prefácio constitucional teria como motivo o fato de  que poderia “ameaçar pôr a proteção do meio ambiente acima de nossas liberdades públicas, mesmo de nossas regras democráticas”. O presidente francês deu uma resposta vaga ao pedido de introdução de ecocídio no direito penal francês

Macron disse que estava contemplando um referendo para introduzir no artigo 1 da Constituição menções à “biodiversidade, ao meio ambiente, ao combate ao aquecimento global”. Ao mesmo tempo, propôs a realização no futuro novas convenções como a sobre o clima, uma experiência de emocracia deliberativa que surgiu da revolta dos coletes amarelos. Uma das queixas desse movimento foi a distância entre o poder central da França e os cidadãos

PUBLICIDADE O ambientalismo macronista oferece seus primeiros contornos: defesa do meio ambiente, sim, mas sem abrir mão da pujança econômica ou pôr em risco o modelo francês. O presidente francês não esqueceu a experiência dos coletes amarelos, originado na classe média empobrecida das pequenas e médias cidades francesas que protestaram contra a redução da velocidade nas estradas para 80 quilômetros por hora e contra um imposto ecológico sobre os combustíveis. O ambientalismo, em sua versão, não está em desacordo com o capitalismo ou o desenvolvimento