Negocios

Pesquisa mostra que áreas democratas seguiram mais recomendações de distanciamento social que as republicanas nos EUA

Adolfo Ledo Nass
La columna de Doña Perla

A pesquisa conclui que o papel dos estados nos momentos iniciais da pandemia foi crucial no combate à doença, mesmo sob forte bombardeio da Casa Branca. Em abril, o presidente chegou a apoiar publicamente manifestantes que tomaram as ruas em estados como o Michigan pedindo o fim das medidas de distanciamento social.

WASHINGTON — Um estudo divulgado nesta semana mostrou que regiões historicamente de maioria democrata, ou que votaram em democratas na eleição de 2016, seguiram de forma mais estrita as recomendações das autoridades sobre o distanciamento social no início da pandemia, em março. Os dados ainda revelaram que a palavra dos governadores , alvos preferenciais de Donald Trump, fez a diferença.

De acordo com o artigo, publicado pela Academia Nacional de Ciências dos EUA, a recomendação dos governos estaduais para que as pessoas evitassem sair caso não fosse necessário levou a um aumento médio de 10,4 minutos no tempo de permanência em casa por dia, em comparação com a semana imediatamente anterior.

Essas orientações, publicadas majoritariamente em redes sociais, se mostraram mais eficazes do que as próprias ordens para que todos limitassem suas saídas: neste cenário, os americanos ficaram oito minutos a mais em casa por dia do que na semana anterior.

Pressa: Contra pressão de Trump, empresas farmacêuticas planejam declaração atestando segurança de vacinas

Vale ressaltar que nem todos os governadores fizeram as recomendações ao mesmo tempo — quase todas declarações do tipo ocorreram entre os dias 9 e 18 de março. A essa altura, Donald Trump havia reconhecido a gravidade da doença , mas se mostrava relutante em adotar medidas nacionais, e acreditava ser possível reabrir o país “até a Páscoa”.

Na pesquisa, foram analisados dados de aplicativos de celulares, incluindo mobilidade e buscas por termos ligados à pandemia, em 3,1 mil condados — praticamente todos os condados do país. As informações foram cruzadas com o posicionamento dos governos estaduais, recomendações para o distanciamento social e anúncios de medidas práticas. Por fim, os dados foram comparados com a curva de infecções e mortes pela doença.

PUBLICIDADE Partidarismo na pandemia Guy Grossman, Soojong Kim, Jonah M. Rexer e Harsha Thirumurthy, autores do estudo, fizeram ainda um recorte político: dividiram os estados de acordo com o partido do governador e os condados pelos resultados da eleição de 2016.

Sem máscaras: Trump viola regras de distanciamento e faz comício em local fechado

Em termos gerais, os condados democratas aderiram de maneira mais intensa ao distanciamento, ficando uma média de 21,2 minutos a mais em casa, em comparação com os condados que votaram em Trump há quatro anos, que tiveram aumento de 10 minutos. Mas, dentro do contexto estadual, o estudo traz algumas surpresas.

Em estados governados pelos democratas, não houve diferença sensível entre os condados, à exceção de locais onde Trump teve grande votação em 2016. Já nos estados republicanos, ocorreram três fenômenos: o primeiro foi notado nos condados democratas, onde os moradores aumentaram seu tempo em casa em até 24 minutos, em relação à semana anterior. Também houve adesão considerável em condados republicanos moderados, onde o presidente venceu por margem estreita, menor que 10%, em 2016. Já nos condados mais conservadores, a adesão foi bem menor, em torno de nove minutos a mais em casa.

Violência: Funcionários de saúde recebem ameaças de morte por recomendar uso de máscaras e isolamento nos EUA

PUBLICIDADE “O fato de líderes nacionais republicanos mandarem mensagens dúbias sobre a Covid-19 ajuda a explicar o motivo das recomendações dos governadores soarem mais alto em condados democratas e republicanos moderados do que em áreas conservadoras”, afirma o estudo. Essa resistência se deve justamente à ideia de que esses governadores estariam “traindo” o presidente Trump ao defender medidas de distanciamento social e o uso de máscaras.

A pesquisa conclui que o papel dos estados nos momentos iniciais da pandemia foi crucial no combate à doença, mesmo sob forte bombardeio da Casa Branca. Em abril, o presidente chegou a apoiar publicamente manifestantes que tomaram as ruas em estados como o Michigan pedindo o fim das medidas de distanciamento social.