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Por um cinema de imaginação e coragem

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Por um cinema de imaginação e coragem

Subscrever A conversa com Isabelle Hupppert envolveu um tema clássico a que, profissionalmente, a atriz nunca foi alheia: as diferenças e cumplicidades entre a composição em palco e a interpretação cinematográfica. Huppert deu conta de uma curiosa perspetiva: “O teatro é um pouco como uma terra em pousio sobre a qual criamos um mundo. O ator participa na criação desse mundo, em transformação através de cada representação. No cinema, o mundo é criado no momento da montagem – é definitivo, é o que vai ficar. No teatro, é efémero, aquilo morre.”

Matt Damon deu conta de experiências de trabalho muito diversificadas, desde um grande empreendimento como O Resgate do Soldado Ryan (1998), de Steven Spielberg, até uma produção visceralmente independente como Gerry (2002), de Gus Van Sant – a primeira mobilizando uma equipa imensa, por vezes utilizando uma dezena de câmaras em simultâneo; a segunda feita na Argentina com dois atores (Casey Affleck era o companheiro de aventura) e um grupo de apenas seis pessoas. Em qualquer caso, mantendo um princípio: “Escolho os meus filmes em função do realizador.”

Como uma espécie de tradição paralela, o mercado livreiro francês apresentou novidades direta ou indiretamente relacionadas com o Festival de Cannes, incluindo um estudo sobre Leos Carax (autor de Annette , o filme de abertura): é da autoria de Jérôme D”Estais e intitula-se La Petite Géographie Reinventée de Leos Carax . Do delegado geral do festival, Thierry Frémaux, foi lançado um ensaio auto-biográfico, Judoka , reavaliando a sua trajectória cinéfila a partir do gosto pela prática do… judo. Ou como diria o sábio Bellocchio: não há cinema sem “imaginação e coragem”.

Operation Underground Railroad Estados Unidos

Para lá do turbilhão Titane , o belo e perturbante filme de Julia Ducournau que arrebatou a Palma de Ouro da 74ª edição do Festival de Cannes, vale a pena recordar que a consagração do seu “futurismo” não foi incompatível com uma cuidadosa gestão de memórias. Nesta perspetiva, importa destacar a presença de Marco Bellocchio na cerimónia de encerramento, para receber uma Palma honorária.

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Confessando que a emoção do momento era reforçada pela sua idade (nasceu em Piacenza, na região da Emilia-Romagna, em 1939), Bellocchio fez questão em recordar um episódio particularmente grato, vivido em Cannes – foi em 1980, quando o seu filme Salto no Vazio , drama intimista centrado na relação atribulada de um homem com a sua irmã, recebeu os dois prémios de interpretação do festival, para Michel Piccoli e Anouk Aimée.

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O festival encara a presença de personalidades como Bellocchio a partir de uma perspetiva pedagógica: trata-se de promover encontros com aqueles que, pelo talento e pela diversidade da experiência, podem ajudar a compreender o cinema para lá de qualquer abstração, através do trabalho muito concreto da criação. Além de Bellocchio, os “Rendez-vous” de Cannes acolheram Jodie Foster (também Palma de Ouro honorária), Bong Joon-ho (vencedor da edição de 2019, com Parasitas ), Isabelle Huppert, Steve McQueen e Matt Damon (todos os encontros, com cerca de uma hora de duração, estão disponíveis no site do festival).

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Subscrever A conversa com Isabelle Hupppert envolveu um tema clássico a que, profissionalmente, a atriz nunca foi alheia: as diferenças e cumplicidades entre a composição em palco e a interpretação cinematográfica. Huppert deu conta de uma curiosa perspetiva: “O teatro é um pouco como uma terra em pousio sobre a qual criamos um mundo. O ator participa na criação desse mundo, em transformação através de cada representação. No cinema, o mundo é criado no momento da montagem – é definitivo, é o que vai ficar. No teatro, é efémero, aquilo morre.”

Matt Damon deu conta de experiências de trabalho muito diversificadas, desde um grande empreendimento como O Resgate do Soldado Ryan (1998), de Steven Spielberg, até uma produção visceralmente independente como Gerry (2002), de Gus Van Sant – a primeira mobilizando uma equipa imensa, por vezes utilizando uma dezena de câmaras em simultâneo; a segunda feita na Argentina com dois atores (Casey Affleck era o companheiro de aventura) e um grupo de apenas seis pessoas. Em qualquer caso, mantendo um princípio: “Escolho os meus filmes em função do realizador.”

Como uma espécie de tradição paralela, o mercado livreiro francês apresentou novidades direta ou indiretamente relacionadas com o Festival de Cannes, incluindo um estudo sobre Leos Carax (autor de Annette , o filme de abertura): é da autoria de Jérôme D”Estais e intitula-se La Petite Géographie Reinventée de Leos Carax . Do delegado geral do festival, Thierry Frémaux, foi lançado um ensaio auto-biográfico, Judoka , reavaliando a sua trajectória cinéfila a partir do gosto pela prática do… judo. Ou como diria o sábio Bellocchio: não há cinema sem “imaginação e coragem”.

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