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'Casa Gucci': roteiro de filme de Ridley Scott sobre entranhas da moda ajudou Lady Gaga a superar depressão

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Luxo só:   Gucci é grife que mais cresce no mundo

A referência à série americana iniciada no fim dos anos 1970 não é gratuita. A história é rocambolesca: Patrizia Reggiani, ambiciosa jovem de classe média baixa de Milão conhece por acaso Maurizio Gucci, advogado herdeiro do império icônico da moda, pouco interessado nos negócios da família, e não perde a oportunidade de uma vida com dinheiro, luxo e prestígio.

Cena do filme 'Casa Gucci', de Ridley Scott Foto: Courtesy of Metro Goldwyn Mayer Pictures Inc. / Agência O Globo Após o casamento, e por influência direta de Patrizia, Maurizio não só vira alto executivo da marca como joga pesado nas disputas pelo comando da grife. Quando ele encontra um novo amor, ela planeja seu assassinato. Descoberta, é condenada a 29 anos de xilindró. A família, por sua vez, perde o controle da Gucci

Lá se vão 19 anos desde que a produtora Giannina Facio deu o toque ao marido: o livro “Casa Gucci: uma história de glamour, cobiça, loucura e morte”, minuciosa reportagem da jornalista americana Sarah G. Forden sobre o assassinato do líder da grife italiana a mando da ex-mulher, daria um senhor filme. Facilitava, claro, o fato de o marido em questão ser sir Ridley Scott. Mas o diretor de “Blade runner” e “Gladiador” temia ser impossível fazer algo diferente de, em suas palavras, um “Dallas com esteroides”.

Luxo só:   Gucci é grife que mais cresce no mundo

A referência à série americana iniciada no fim dos anos 1970 não é gratuita. A história é rocambolesca: Patrizia Reggiani, ambiciosa jovem de classe média baixa de Milão conhece por acaso Maurizio Gucci, advogado herdeiro do império icônico da moda, pouco interessado nos negócios da família, e não perde a oportunidade de uma vida com dinheiro, luxo e prestígio.

Cena do filme 'Casa Gucci', de Ridley Scott Foto: Courtesy of Metro Goldwyn Mayer Pictures Inc. / Agência O Globo Após o casamento, e por influência direta de Patrizia, Maurizio não só vira alto executivo da marca como joga pesado nas disputas pelo comando da grife. Quando ele encontra um novo amor, ela planeja seu assassinato. Descoberta, é condenada a 29 anos de xilindró. A família, por sua vez, perde o controle da Gucci.

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Pois o primeiro antídoto encontrado pelo diretor, cujo “Casa Gucci” chega hoje aos cinemas, para fazer, sem o risco “Dallas”, o que imaginava — “um filme sobre obsessão e poder”, mais do que o registro de um capítulo policial dos bastidores da moda — foi escalar para os papéis centrais Lady Gaga e Adam Driver.

— De cara percebi que, para Patrizia, a Gucci era um modo de sobreviver, a oportunidade de dar significado à sua existência. Até comecei a ler o livro, mas parei, para não me influenciar pela Sarah. Quis ser “a jornalista”, investigar e descobrir quem seria minha Patrizia — diz Gaga.

Força nas perucas A investigação foi intensa. A estrela pop de 35 anos falou exclusivamente, por nove meses, com um sotaque milanês, mesmo fora do set , inclusive com sua família. Quando recebeu o roteiro, de Becky Johnston e Roberto Bentivegna, ela estava às voltas com uma depressão e cogitou até voltar a ser apenas Stefani Germanotta e deixar Gaga no passado. Ao New York Times, afirmou que, quando viu a possibilidade de “se tornar (mais) um outro alguém”, acabou encontrando uma resposta para os dilemas do momento e “aí, me joguei”.

PUBLICIDADE — Fiz do meu trailer um laboratório de ciência. Como encarno Patrizia por um período de 30 anos, uso 15 perucas, réplicas exatas do cabelo dela, a partir de fotos que conseguimos. Usei até tinturas da época. Muitas vezes fazia uma cena de manhã com ela mais velha, outra de tarde com Patrizia jovem, e no fim do dia uma em que ela estava na faixa dos 30. Como faço questão de não chegar jamais atrasada a nada, precisei ser muito organizada. E fui. — diz.

As transformações mais surpreendentes do cinema americano Entre os filmes desta temporada, não faltam exemplos de atores irreconhecíveis em seus papéis. É o caso de Nicole Kidman, que surge envelhecida como a detetive Erin Bell em 'O peso do passado', filme que estreia nesta sexta-feira nos cinemas. No lado direito, a atriz em aparição recente no tapete vermelho Foto: Divulgação/AFP No filme em cartaz 'Amigos para sempre', Nicole Kidman também aparece bastante diferente do que costumamos ver Foto: Divulgação/JEAN-BAPTISTE LACROIX Nicole já passou por uma transformação inesquecível em 'As horas' (2002). Ela adotou um nariz falso para ficar mais parecida com a escritora britânica Virginia Woolf Foto: Divulgação/AFP Outro caso impressionante e atual é o de Christian Bale, que também foi envelhecido para pode interpretar o ex-vice-presidente americano dos Estados Unidos Dick Cheney em 'Vice' Foto: Divulgação/AFP O ator está acostumado a passar por mudanças extremas. O caso mais famoso é de quando ele perdeu 28 quilos para viver o protagonista de 'O operário' (2004) Foto: Divulgação/AFP Pular PUBLICIDADE Nesta temporada, outra surpresa foi ver Lady Gaga sem cabelos multicoloridos e pouca maquiagem em 'Nasce uma estrela' Foto: Divulgação/AFP Em 2017, Emma Stone também surgiu irreconhecível como a tenista Billie Jean King em 'A guerra dos sexos' Foto: Divulgação/AFP Uma das transformações mais lembradas do cinema é a de Charlize Theron em 'Monster' (2003), quando viveu a serial killer Aileen Wuornos Foto: Divulgação/DANNY MOLOSHOK Na comédia 'Trovão tropical' (2008), Tom Cruise também impressionou ao aparecer careca para viver o personagem Les Grossman Foto: Divulgação/AFP Em 2007, Cate Blanchett conseguiu ficar parecida com Bob Dylan para o filme 'Não estou lá' Foto: Divulgação/Eric Gaillard Pular PUBLICIDADE Outro que topou viver um personagem de outro sexo foi John Travolta, no musical 'Hairspray – em busca da fama' (2007) Foto: Divulgação/Mônica Imbuzeiro/Agência O Globo Já Rooney Mara topou raspar as sobrancelhas para interpretar a hacker Lisbeth Salander em 'Millennium – Os homens que não amavam as mulheres' (2011) Foto: Divulgação/MARK BLINCH Cameron Diaz, que não costuma mudar muito a aparência, já surgiu com cabelos completamente desalinhados em 'Quero ser John Malkovich' (1999) Foto: Divulgação/Claro Cortes IV Driver destaca o fato de Scott ter pensado o filme como uma peça, em três atos muito definidos: primeiro, a juventude e o encontro dos protagonistas; depois, a tomada do império Gucci por Maurizio e Patrizia, entre traições e puxadas de tapete (esqueça “Dallas”, pense na atual “Succession”, da HBO); e, no epílogo, a perda de poder que leva ao crime.

Ridley filmou como se fosse teatro. Mas você esquece onde as câmeras estão. Eu estava no meio da cena, olhava para cima, e via uns cobertores pretos. Era ali que ele escondia os câmeras — conta Driver.

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Ao contrário de Gaga, ele diz ter lido o livro até o fim e estudado o roteiro para criar “meu Maurizio“.

PUBLICIDADE — Mas Ridley está aberto para mudanças até no momento da filmagem, e gosto muito disso — diz o ator, que já tinha trabalhado com o diretor britânico de 83 anos em “O último duelo” , em cartaz nos cinemas brasileiros.

Lady Gaga nos bastidores do filme 'Casa Gucci' Foto: Fabio Lovino / Agência O Globo A reconstituição de época — e as 75 peças criadas especialmente para Lady Gaga pela figurinista Janty Yates a partir dos arquivos da Gucci — impressiona tanto quanto a decisão de Scott de fazer seus atores falarem um inglês macarrônico, posto que italianos.

Gata, raposa e pantera Também causa estranhamento a escalação do gélido Jeremy Irons e do nada contido Al Pacino para viverem irmãos. Rodolfo e Aldo Gucci discordam sobre o futuro da grife e o filho de Aldo, o medíocre Paolo, vivido por um irreconhecível Jared Leto,é uma espécie de elo fraco da família, o primeiro a sofrer na pele o poder de sedução e destruição de Patrizia.

Pensei nela como três animais diferentes e estudei detalhadamente em vídeo seus movimentos. No primeiro ato, ela é um gato caseiro, que se enrosca em você. No segundo, uma raposa, ágil, que faz de tudo para conquistar o que quer. E, no terceiro, uma pantera, que dá o bote após a sedução, quando você menos espera — diz a nova-iorquina indicada ao Oscar de melhor atriz em 2019 por “Nasce uma estrela” (pelo qual recebeu a estatueta de melhor canção original).

Lady Gaga e Adam Driver em cena do filme 'Casa Gucci' Foto: MIGUEL MEDINA / AFP PUBLICIDADE Embora já seja lembrada para o Oscar 2022 por sua Patrizia, Gaga e seu star power não conseguiram garantir unanimidade para “Casa Gucci” entre críticos dos dois lados do Atlântico norte. No New York Times, o decano A.O. Scott torceu o nariz para o que percebeu ser “muito exagero por nada”. E viu Gaga atuando com “o entusiasmo de uma Anna Magnani”, mas “em um avatar de game do Super Mario”.