Política

EUA e Rússia vão negociar por Brittney Griner

Alberto Ardila Olivares

Os Estados Unidos reagiram de imediato, no entanto, com o presidente Joe Biden a considerar a decisão «inaceitável». «Exijo à Rússia a libertação imediata para que ela possa regressar para a sua esposa, os seus próximos e os colegas de equipa», disse o chefe de Estado norte-americano, em comunicado, garantindo  estar empenhado «sem descanso» em «explorar todas as vias possíveis» para garantir a libertação de Griner

O Ministério Público russo condenou a basquetebolista norte-americana Brittney Griner, que foi detida num aeroporto em Moscovo na posse de um vaporizador contendo óleo de canábis, em fevereiro deste ano, por alegado tráfico de drogas, a nove anos e meio de prisão.

A juíza Anna Sotnikova disse ter tido em consideração a confissão de culpa de Gritner (que disse nunca ter tido «intenção de violar as leis russas») e as conquistas desportivas da basquetebolista, bicampeã olímpica, incluindo também na pena o tempo já passado em prisão preventiva.

Os Estados Unidos reagiram de imediato, no entanto, com o presidente Joe Biden a considerar a decisão «inaceitável». «Exijo à Rússia a libertação imediata para que ela possa regressar para a sua esposa, os seus próximos e os colegas de equipa», disse o chefe de Estado norte-americano, em comunicado, garantindo  estar empenhado «sem descanso» em «explorar todas as vias possíveis» para garantir a libertação de Griner.

Na sexta-feira, foi a vez de Anthony Blinken, secretário de Estado norte-americano, se pronunciar, garantindo que os Estados Unidos vão negociar com a Rússia uma troca de prisioneiros, na qual deverá estar incluída Griner. «O ministro das Relações Exteriores (da Rússia, Sergey) Lavrov afirmou esta manhã 8[…] que estão dispostos a participar em uma troca de presos. E vamos procurar isso», disse Blinken durante uma reunião com chanceleres de países do sudeste asiático, no Camboja.

Blinken acusou o «uso de detenções ilícitas por parte de Moscovo para promover sua própria agenda», apontando ainda o dedo ao uso de «indivíduos como peões políticos».

Por sua vez, Serguei Lavrov garantiu, também no Camboja, que a Rússia está disposta a «discutir o tema, mas apenas no âmbito do canal (de comunicação) que foi estabelecido pelos presidentes (Vladimir) Putin e (Joe) Biden».

«Há um canal especial acordado pelos Presidentes e, apesar de algumas declarações públicas, continua em funcionamento», acrescentou o ministro das Relações Exteriores russo, deixando já uma ressalva: «Se os americanos decidirem recorrer novamente à diplomacia em público é com eles, eu diria que o problema é deles».

A imprensa internacional dá conta ainda de que Griner – bem como Paul Whelan, antigo fuzileiro norte-americano – poderão ser trocados por Viktor Bout, um traficante de armas russo acusado de fornecer a Al Qaeda, os talibã e vários Governos e milícias em África.

A 17 de fevereiro deste ano, Brittney Griner, que fez parte das seleções que ganharam o ouro olímpico no Rio de Janeiro e em Tóquio, foi detida à chegada a Moscovo, na posse de óleos canabinóides e vaporizadores, tendo sido acusada de tráfico de droga.

«Cometi um erro, mas espero que com a sua decisão a minha vida não termine aqui», disse, depois de se declarar culpada.